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Tempo

O novo CD da Sandy, "Manuscrito", incrivelmente diz muito de mim; assim, quem quiser me entender um pouquinho mais, só comprar ou baixar as músicas da internet (sou suspeito, mas recomendo, porque ficou muito bom!). Contudo, pra dar uma palhinha e dizer profundamente de mim, deixo a letra de uma das músicas; apreciem e degustem intimamente... Tempo (Sandy Leah/Lucas Lima) Invernos Impérios Mistérios Lembranças Cobranças Vinganças Assim como a dor que fere o peito Isso vai passar também E todo o medo, o desespero e a alegria E a tempestade, a falsidade, a calmaria E os teus espinhos e o frio que eu sinto Isso vai passar também Saudades Vaidades Verdades Coragem Miragens E a imagem no espelho Como a dor que fere o peito Isso vai passar também E todo o medo, o desespero e a alegria E a tempestade, a falsidade, a calmaria E os teus espinhos e o frio que eu sinto Isso vai passar também Isso vai passar Isso vai passar Isso vai passar também...

Se disserem não...

Se o mundo disser não para seus desejos (ardentes, calientes , comoventes e quantos "entes" desejar na definição), não se preocupe e simplesmente viva ... ninguém vai, verdadeiramente, notar se você está ou não feliz com a realização dos seus desejos; geralmente, os "nãos" são hábitos arraigados, vindos de tempos primevos que eles (e também nós) não querem deixar de ter. Se a vida disser não para seus sonhos (delirantes, reais, enregelantes, ancestrais, premonitórios e assim vai), não se preocupe e continue sonhando ... nada, nem mesmo os amores, podem limitar ou precisar a extensão de um sonho ou as consequências dele em nossa vida; assim, para a diversão, emoção, organização ou reverberação, sonhe e deixe sonhar! Se o medo disser não para seus amores (apaixonites, paixões, namoros, noivados, casamentos ou simplesmente ficadas), entregue-se com mais afinco à esse " todo poderoso sentimento "... apesar de não ter mensuração e ser facilmente confundido com ...

Quando as palavras não dizem tudo

O frio me traz uma sensação diferente, Um refúgio inexplicável, uma atração entorpecente... Doce imparidade de olhar transigente, Ora superada, ora elude falha! O frio me diz de uma emoção que me deixa descontente, Um medo incontrolável, uma força envolvente... Feia cicatriz vaporável de sorriso embotado, Ora exasperado, ora reticente! O frio me convoca a um desejo ardente, Uma ilusão inalienável, uma verdade incoerente... Intrigante peça de decoração de um coração amante, Ora copioso pranto, ora gargalhada estridente! O frio simplesmente traz, Talvez uma prece, um beijo, uma canção... E na dúvida (e ligeira incapacidade de expressão) do que ele me traz usualmente, Fico com o medo, a cicatriz, a ilusão e o desejo ardente, geralmente! (para falar do meu inverno)

Querendo o que não posso ter

Abro os olhos e vejo o mundo... Ele desnuda-se no espaço etéreo, Entrega-se na amplidão dos sentimentos humanos, Perde-se na dor e na imensidão dos sentidos efêmeros, E gira, corre, faz e desfaz... Fecho os olhos e perco o tempo... Ele acelera a dimensão de tudo, Esvazia-se no todo e no nada, Paralelo adstringente entre o acaso e o destino, Que diz, silencia, traz e leva... Abro os braço e tento voar... Mas o vento não sopra em minhas costas, E minhas asas fictícias não sobem e decem o céu azul, Que pela minha tristeza fica cinza, E violeta, e negro e vazio... Fecho o coração e tento pensar... Mas percebo que sentir e pensar podem caminhar juntos, E fazer, e realizar, e desenvolver e ampliar, E o que não conseguem juntos, Eu deixo pra um outro momento em que possa ter tudo!

Poemeto de dor e confusão

A espera consiste em pausa, Que o corpo insiste em não querer. A expectativa vem do medo, Que a vida inspira quando não se sabe o que fazer! A pausa requer paciência, Para que na inércia haja virtude... O medo ilude as virtudes, Pelo fazer de poucas atitudes! As atitudes não são a glória, Visto que esta vai além de ações. As ações são a esmola, De uma vida de solidão! Estes versos não dizem tudo, Mas dizem o que passa as vezes em minh'alma... Dizem um pouco de absurdos, E de lágrimas, de suspiros e de soluços!

E mais uma coisa em comum...

Quando o mundo fica sem sentido e as formas não são as mesmas dentro de um todo, Quando o tempo decide parar e o desejo continuar impossivelmente na imensidão das conexões (sinápticas, fisicas, metafísicas, subjetivas e tantas outras) que se extendem infinitamente, Quando o ser precisa desesperadamente do ter o que "não pode" para sentir e existir na vida e para o mundo, O mundo, o tempo e a vida surpreendem (a si e a mim) com um sopro renovador! Tudo entra no eixo... Tudo faz sentido... Tudo volta a se mover... O ser e o ter se aproximam intimamente em mais uma coisa em comum ... Um time, um desejo, um lampejo, uma profissão, um número, um acúmulo, um sentido, um abismo, um apelido (talvez esse não), um rumo, o todo, o tudo! Que ao mesmo tempo é o nada, que deliciosamente não é um basta para uma relação! E ela, a relação, profusão, averiguação, inibição, apreciação, furacão, emoção, expectação, exasperação e conclusão, Não seria nada sem as coisas comuns... Incomuns no desti...

Expectativa

A vida passa incessante e célere; mas me parece que rasteja dificultosamente pelo tempo que perde-se em si mesmo na espera angustiante de um momento oportuno para demonstrar toda a beleza de um encontro feliz... As noites correm pelas intempéries inalteravelmente; contudo tenho a certeza de que a corrida é em marcha lenta, como se cada milésimo de segundo fosse um abismo abissal entre um e outro e que o tempo atemporal não consegue transpô-lo para fazer-se cronometrável e permitir, enfim, a entrega expontânea de um amor irremediável... Os dias translucidam-se para as mentes abertas à paciência e aceitação da vontade imperturbável do tempo, mas a minha percebe-os com suas turvas nuvens a rirem-se de mim da minha aflição e tremor pelo momento tão esperado que aguardo do fundo d'alma... As horas, os minutos, os segundos, os milésimos de segundo e toda a cronologia do infinito passa, mas meu coração continua preso ao ponteiro que numa brincadeira macabra de maltratar a emoção, insiste ...