Estrelas do meu céu...

domingo, 30 de maio de 2010

Dizendo do meu olhar


Me disseram que estava com um olhar triste. Não tinha percebido como o tempo o havia transformado dessa maneira! Será que são as dores do mundo a dissolver um futuro dourado na aurora que se dissipa na névoa da noite fria?
Me disseram que estava com um olhar distante. Não havia reparado que meus objetivos estavam tão além do alcance dos meus parcos braços juvenis. Há possibilidade de alcançar as estrelas ou elas estão longe demais, como uma ilusão que se desdobra na caminhada fatídica e intransferível da vida que me cabe?
Me disseram que estava com um olhar frio. Talvez seja a visão de uma alma amortalhada pela dor de apenas existir, sem conseguir concretizar pelo menos isso direito. O que fazer para modificar o presente num momento mais esplendoroso?
Estavam dizendo do meu olhar, sem me permitirem falar, explicar, sentir ou chorar o que a vida me reservou...
Fico me perguntando: é justo? Não consigo chegar à uma resposta, visto que ela necessita de uma descoberta de mim e um encontro com o desconhecido sem fim. Procuro uma pedra pra firmar meus pés, mas onde ela está em meio à escuridão inebriante da fuga?
Uma, duas, dez, mil vezes me pergunto por que e concluo que não sei, mas acredito ser necessário para que, quando disserem novamente do meu olhar, percebam, nessa vez, um olhar de alegria no lugar da tristeza; um olhar mais próximo e atento no lugar da distancia; um olhar mais caloroso no lugar da frieza; um olhar mais esperançoso no lugar da morte e da dor.

(para aqueles que sempre me olham)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Indescritível



Sabe aqueles dias em que você acorda de um sonho tão bom que gostaria de permanecer nele e, ao levantar, sente que o dia está tão bom quanto o sonho? Pois é. Hoje pra mim é um desses dias. Acordei com uma sensação de prazer e alegria como poucas vezes sinto durante o ano...
É um prazer indescritível... meu corpo reage involuntária e incontrolavelmente e as sensações que tenho são exultantes: minha barriga esfria, o corpo se arrepia, sorrio o tempo todo por nada! Sinto que se conseguisse, alçaria vôo para o infinito azul, ultrapassando as barreiras atmosféricas e eu me perderia na imensidão, onde os sentidos seriam aguçados e me embutiria num mundo de alegria e prazer sem fim.
Em dias assim tudo parece possível... todos os desejos e fantasias, todas as possibilidades se abrem: ser um super herói, um grande artista, um super topmodel, o melhor cheff do mundo, o escritor mais premido, o executivo mais organizado e importante, o lider mais querido, o patrão mais amado, uma pessoa tão perfeita quanto o mundo possa querer independente do que faça... tudo fica azul, verde, vermelho, multicor! O mundo apresenta-se na sua forma mais bela e mesmo os momentos mais bizarros e tristes tem um ar de esperança!

Não é um mundo novo, mas uma nova visão... As pupilas enxergam além do sofrimento e da dor; apresentam um brilho intenso de vontade de ser e fazer o que poucas vezes se disponibiliza na seara da vida; percebo que o futuro sempre será consequência do agora e o agora depende de cada um. As crianças crescerão sobre a nossa égide firme dos adultos; os adolescentes se espelharão na nossa conduta inabalável no bem e na verdade dos mais velhos; conviveremos com alegria, fraternidade e fidelidade uns com os outros; envelheceremos com a certeza do dever cumprido.
Quando o corpo se arrepia sinto a presença da amizade! A morte não existe e os verdadeiros amigos, que se amarão pela eternidade, retornam do mais além pra deixar o abraço carinhoso da gratidão e o beijo consolador de despedida, com a certeza do reencontro breve (obrigado Fernando, meu amigo e irmão... também amo você!).
O sorriso mostra a alma, o brilho no olhar, a certeza de que viver é sempre a melhor escolha... Em dias assim o tempo não existe da mesma maneira que em dias comuns (desesperançosos, algumas vezes tristes, embaraçosos, difíceis...); o tempo parece mágico e a mágica está em sempre fazer com que a alegria e a paz perdurem cada instante mais.
Quem me dera conseguir manter constantemente essa sensação!


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Deu branco


Quando entrei no blog hoje não tinha a mínima idéia do que escrever (mesmo ontem tendo pensado em várias opções de escrita...); assim, como minha mente no momento, homenageio o branco!
A ciência define o branco como sendo "a junção de todas as cores do espectro de cores. É definida como "a cor da luz", em cores-luz, ou como "a ausência de cor", em cores-pigmento. É a cor que reflete todos os raios luminosos, não absorvendo nenhum e por isso aparecendo como clareza máxima".
Em diversos momentos da vida, o branco deixa de ser a ausência das cores (ou, no caso da luz, a junção de todas elas) e passa a ser um estilo de vida, uma maneira de expressão, um desejo, uma vontade, um momento....
Expressando maquinalmente nossa cultura ocidental, quantos de nós, na virada do ano, já nos trajamos de branco (alguns, além do branco, com outras cores cabalisticas), na esperança desesperada de que o ano que se inicia comece reverentemente embebido de paz e prosperidade? Quantos de nós, num momento de grande tensão, stress e/ou raiva, não pensou "branco" na tentativa de acalmar os ânimos e evitar desastres emocionais e psicológicos de grandes proporções? Quantos de nós já não saimos com uma calça branca justa ou uma camiseta (regata ou não) um pouco mais curta, com um sorriso travesso nos lábios, demostrando segundas, terceiras, quartas e quantas mais intensões para uma noite que promete ser inesquecível?

Ora, de 100% das noivas no mundo, apenas 12% dispensam o tradicional vestido branco (com direito a véu, grinalda, bouquet e tudo mais)... é a singeleza, pureza, integridade e fidelidade que desejam passar num dia que é exclusivamente seu (e acredito que ninguém conteste). E, contrapondo a grande felicidade das noivas, algumas culturas orientais percebem o branco como um momento ou sinal de tristeza e luto... (o mundo e sua diversidade!)

Nesses momentos, nos quais o branco se faz tão presente - e aqui também acrescento os brancos mentais corriqueiros nos momentos que menos precisamos deles e que estranhamente naqueles que mais são necessários, como um alerta- é que podemos ampliar sua conotação básica e dar à essa cor-luz uma nova expressão de acordo com a nossa vontade e/ou necessidade.
Branco pode ser uma palavra, uma frase, um sentido, um gesto, um movimento, uma intensidade, um feelling, um affair, uma etinia, um modelo... tudo quanto a imaginação possa trazer à consciência ou deixar latente na inconsciência; branco pode definir seu estado espiritual, mas este é um assunto para outro momento.
O branco tanto faz parte da nossa vida que alguns seletos grupos - novamente falando do ocidente - (geralmente antagonicos deles mesmos, uma vez que tentam se esconder e manterem-se presos numa teia de ilusão sobre sua percepção de mundo) o negam, tendo como desculpa a demonstração de sua indignação, rebeldia, seleção pessoal e diversas outras pseudojustificativas; usam em demasia outras cores, geralmente o preto, sem se darem conta que a negação dá mais força ao objeto ou pessoa negada e, em muitos casos, limitam novas oportunidades e experiências por demostrarem, por um simples guardarroupa de uma só cor, a limitação de suas mentes (não tenho nada contra o preto, que como a branco, é a ausência ou junção de todas as cores, mas acredito que o equilíbro é sempre necessário na utilização de ambas). Sugiro que tais grupos, sem ofença a nenhum deles, reorganizem sua maneira de pensar, pois estão se privando de uma experiência libertadora e muito mais excitante.
E, enquanto me deixo levar pela falta de mais escritas sobre o branco, neste dar MAIS um branco mental (rs), me permito fazer um poemeto sobre esta cor-luz:



MAIS BRANCO


De todas as cores que dizem de mim

Branco é aquela mais afim

Porque nela expresso minha ausência,

Na essencia que procuro enfim...


De todas as luzes que procuro enfim

Branco é a essencia mais afim

Porque nela expresso algo de mim,

Na ausencia que me caracteriza assim.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Jesus pra mim

Pelos anos de vida consciente que tenho experimentado nesta existência, já ouvi diversos relatos dizendo da personalidade de Jesus e, embora todo o respeito que tenho pelas sumidades no assunto em face a visão histórica e espiritual que apresentam, não quero deixar de perceber que tudo o que dizemos sobre Ele está diretamente ligado à nossa consideração a partir do que temos de compreensão de nossa vida e dos nossos sentimentos íntimos (e por isso tantos conflitos, visto que cada pessoa é única e encara cada situação de maneira diversa da outra, embora vivamos, em muitos momentos, situações semelhantes do companheiro ao lado). Assim, visto que consigo falar apenas daquilo que apreendi, compreendi, senti e vivi em relação a Jesus (e os historiadores tem um papel muito importante e, à eles, o meu agradecimento), posso dizer que, pra mim, Jesus é a porta fulgurante de vida plena, sem perder as expressões do sentimento, da sensação, da emoção e da percepção; Jesus pra mim é o sol que me aquece e dá esperança de dias melhores e mais alegres, principalmente nos meus momentos de maior desespero ou infelicidades (que infelizmente estão se adensando, ainda não consegui identificar por que); Pra mim, Jesus é o abraço que me acolhe o pranto vindo d'alma e consegue fortalecer meu ideal de querer crescer a cada dia, às custas dos meus defeitos mais arraigados (pedregulhos pouco a pouco lapidados e pulverizados com o suor do meu esforço e, insignificantemente ainda, do meu amor ao próximo); Jesus, essa figura ímpar da humanidade, para mim é meu irmão, sem preconceitos ou julgamentos, pronto pra me defender, aconselhar, repreender de maneira amorável, nos momentos em que cada uma dessas situações se faz necessária. Jesus pra mim é tudo, preenchendo a partir da minha permissão o nada que fiz da minha existência que, sem Ele, não teria todas as bençãos e frutos que conquistei até hoje (não nego o meu esforço, mas não deixo de reconhecer Nele a fortaleza a me sustentar em tudo!)... Ele é o meu caminho, a minha verdade e a minha vida e essa certeza, neste novo começo, me deixa em paz pra continuar a lutar pelo que acredito, para a frustração das demais opiniões perniciosas que aparecem diariamente!

sábado, 22 de maio de 2010

Pra começar...


Em diversos momentos da vida, me deparei com a pergunta: "Quem é você?". Durante muito tempo confesso que não sabia responder à uma questão tão simples, e ao mesmo tempo tão complexa, da existência humana. Ficava muitas vezes confuso; intrigado em muitas outras... sofrendo grande parte do tempo para entender e responder tal questão.
Vivenciar o ser é simples porque reflete a essência real da pessoa, sujeito, indivíduo ou o termo que melhor descreva cada um (prefiro pessoa... dá uma conotação interessante ao longo da vida!). Contudo, o complicado de ser é, primeiro, se conhecer, mesmo que parcialmente e, conhecendo-se, viver o conhecimento para transformá-lo em sabedoria. Esta última independe da idade ou da classe social, porque está diretamente ligada ao que se faz com o conhecimento adquirido em prol de si mesmo e do mundo.
O que posso dizer, por enquanto (visto que o conhecimento de si é um processo conquistado ao longo das vidas), é que percebi desagrados em minha maneira de ser que tentarei mudar (e quando falo em tentativa, digo que há situações tão arraigadas que talvez uma vida não seja o bastante, mas nem por isso deixarei de persistir). Percebi também atitudes virtuosas que nunca imaginei ser capaz de produzir e que incrivelmente são naturais (e isso me deixa muito feliz!!!); Compreendi que não preciso ser perfeito para gostarem de mim, porque os que realmente me amam, gostam de mim como me apresento (tentando dar alguns toques de melhoria... tudo bem, eu os aceito desde que sejam feitos com carinho e sensatez!).
Aceitei no percurso deste processo que tenho defeitos (duvido que tenha alguém no mundo que nunca se imaginou sem defeitos, mesmo que uma vez na vida!), mas que posso mudá-los ao sabor do meu esforço e percebi ainda que alguns desses defeitos quero manter por bel prazer de sentir dor (também nutro a crença que 99% das pessoas no mundo sofrem de masoquismo, mesmo que em estado latente, por um motivo que seja). Aceitei que tenho qualidades e virtudes (que sempre me deixam feliz quando as pratico) e, quando não tenho cuidado, são elas que facilitam minhas máscaras sociais, tentendo criar a ilusão ao mundo de que sou mais do que realmente estou.
Enfim, aceitei que sou humano, falível e passível de aprendizagem e evolução, em busca de um lugar na vida ,de me encontrar e, na frase eternizada pela sétima arte: "I choose a mortal life", descobri que é necessário viver a mortalidade para, um dia, caminhar os passos da imortalidade aos quais estamos todos predestinados, rumo à uma felicidade cada vez mais próxima.