Estrelas do meu céu...

sexta-feira, 30 de março de 2012

Para lembrar de momentos bons - 1º momento: o encontro


Ao som de "The colour of my love", Céline Dion

- Alô, quem fala?
- Éverton e você?
- Ooii! (excitação do outro lado); é ... Acabamos de nos conhecer na net.
- Opa! Beleza? (minha excitação ao ouvir a voz).
- Voz bonita... (risos sem graça)
- A sua também é muito (risos sapecas)
- Você é de Lagoa da Prata mesmo?
- Sou sim... de onde é o seu DDD?
- Ah, é de...
- Nossa! Longe...
(um pouco mais de conversa)
- Você "tá" de boa? Podemos nos encontrar agora?
- Uai, podemos sim. Me dá só uns 15 minutos para o banho? (certa insegurança na voz)
- Dô sim, sem problemas. E nos encontramos onde?
- Perto da rodoviária, pode ser?
- Claro! Te aguardo então. (excitação na voz)

(momento ducha rápida - 30 minutos, rs)
"Não acredito que estou fazendo isso... vou encontrar alguém que conheci na net ha menos de 10 minutos... eu tô ficando doido mesmo" - ria de mim pelo desejo, excitação e medo tudo misturado

...

- Oi! Você não vem mais? (certa tristeza)
- Oi! Vou sim... é que "garrou" aqui, mas já tô indo! (certa vergonha)
- Ok... te aguardo. (expectativa)

... (mais 15 minutos)

- Oi! Desculpa te incomodar de novo, mas se estiver muito difícil aí pra você, podemos marcar pra outra hora ou dia... (um tanto decepcionado)
- Não, não! Calma. Acabei de sair de casa. Chegou aí em 1 minuto. (certo desespero)
- Ah é?! (novo ânimo) Estou rodeando o quarteirão por conta dos parentes que moram perto. Mas estou indo pra rodoviária então.
- Tá certo. Tô chegando.

... (3 minutos depois)

- Cadê você? Não estou te vendo. (preocupado com um possível trote)
- Estou chegando... como você está?
- Estou com uma camisa xadrez verde e você?
- Tá certo!

Desligou o fone. Comecei a girar em volta de mim para tentar ver de que lado vinha. Te vi: óculos escuros, camisa polo azul marinho, jeans, sapatos pretos, cabelo algo casual.
Meu sorriso surgiu naturalmente ao te ver e meu coração disse, entre um palpitar e outro: "vai ser algo muito bom"!

- continua... -
(Diário explícito! Feito para você que sempre estará no meu coração... a saudade bateu hoje - 30 -  no dia exato do nosso primeiro encontro)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Preciso de... um abraço de verdade


Ao som de "Falling", David Archuleta

Preciso de um abraço.
Daquele de me prender; daquele onde eu possa me perder nos braços e encostrar minha cabeça no ombro, e chorar a falta que sinto e esquecer que o tempo existe...
Preciso mesmo de um abraço.
Daquele abraço que me acalenta as amarguras e proteger da dor; daquele de me aquecer com o próprio calor e envolver qual cobertor...
Preciso desesperadamente de um abraço.
E quem sabe quando seguro, aquecido e perdido nele, eu me encontre um pouco e me sinta bem!

(tô esperando já!)

terça-feira, 27 de março de 2012

Suborno Vs Reconhecimento


Ao som de "Unimultiplicidade",  Ana Carolina

Conversando com meu amigo ontem (eu "mais pra lá do que pra cá" de cansaço mental), comentávamos sobre a festa de aniversário dele: os pontos positivos, os pontos negativos, os pontos positivíssimos (rs)... eu praticamente só escutava porque estava sem muito em mente (o cansaço realmente era muito grande). Eis que, durante sua fala, quase um monólogo, ele me diz:

- Sabe Evérto (é assim que ele me chama), no di-dia (ele é um pouco gago) do meu aniver-versário, eu pedi pra do-dona ... (sigilo) para fazer um praato bem grande de churraasco e pão de alho assado e fui ali no quartel levar proos policiais."
- Uai, pra quê?
- Po-porque eu conheço um deles... e-ele fez Karatê comigo. Ai eu fui lá procurando por ele (O-o Cabo ... tá aí? É que eu vim dei-deixar esse prato de chu-churrasco pra ele e pra vocês). E-eles são bacanas. Ai a gente ficou até 3 da ma-manhã com música, de boa...
- Isso é suborno. - disse entre um riso e outro.
- Nã-não é suboorno. É um re-reconhecimento do trabalho que eles estão faazendo. O quarteirão está mais tranquilo...

Ri um pouco mais e continuamos falando sobre outros assuntos até eu voltar pra casa. Mas permaneceu este incômodo.
Todos sabem que, tirando os locais com alvará e permissão concedida antecipadamente, é proibido qualquer tipo de ruído acima de 45 decibéis a partir das 22 até as 7 da manhã (Dec. Lei 292/2000, de 14 de novembro, art.° 10.° do Código Civil). Todos sabem também, com as devidas exceções, que policiais são profissionais arrogantes e cheios de pompa quando o assunto é tentar manter a "ordem", usando grande parte das vezes métodos estúpidos, brutos e pouco eficazes.
Contudo, sem querer levantar a questão se eles terem moral suficiente pra fazer isso apenas por serem profissionais, questionei-me o tempo todo se o fato de terem deixado um tanto de adolescentes e jovens adultos continuarem a algazarra, nos fundos de uma casa, atrapalhando os vizinhos com crianças pequenas e velhos, sem falar nada não estaria diretamente ligada ao fato de meu amigo ter dado um "presentinho" para eles.
Que dentro da polícia (Civil, Militar e Federal) há corrupção, isso não é dúvida pra ninguém, nem para quem gosta de "tapar o sol com a peneira". Contudo, me alertou para o fato de que os grandes crimes e calamidades começam com pequenos atos. Aceitar o churrasco como paga ao "não perturbe minha festa" é apenas o inicio para os subornos nos casos dos tráficos, liberação ao tráfico e outros delitos ainda maiores.
Ora, cumprir com a Lei não é o dever deles enquanto profissionais? Não deveriam eles, mesmo recebendo um agrado, ter chegando e pedido para o volume da música ser diminuído para não atrapalhar os demais moradores da vizinhança?
Meu amigo não teve intenção consciente de subornar os policiais no Batalhão ao lado da casa dele, mas foi o que aconteceu subjetivamente e, mesmo que fosse uma atitude de puro reconhecimento e gratidão pela segurança e tranquilidade que o quarteirão vivia, novamente os mesmos não deveria aceitar senão as palavras de agradecimento, pois que não fazem mais que o seu dever em manter a segurança da população; presentes (mesmo que churrasco) deveria ser dispensado.
Para mim, em termos gerais, houve suborno, mesmo que subjetivo, da parte do meu amigo, como também em outras situações já fiz o mesmo e acredito ser necessário mudar desde que isso chegue à consciência, pois como cobrar dos políticos e lideres se fazemos o mesmo em escala menor?!


(Diário explícito. Não há revolta ou moralismo neste post, caso seja isto que você que me lê esteja pensando. Apenas um momento de reflexão. Para tanto, deixo aberta a discussão e peço que opinem a respeito)

sábado, 24 de março de 2012

E "um nada" de você


Ao som de "I'm in love", Ne-Yo and Lionel Richie

Os passos me levam pela mesma trilha de antes do por-do-sol!
Nova luz se faz sobre as pedras que rolam devagar pela inclinação, buscando a base que jaz tocada pelos meus pés, lá no fundo...
Onde os caminhos ocultos de outrora? Vejo-os claros como cristais brilhando à luz que sai de olhos de amor! Falta apenas caminha-los...
Não dispenso mais o toque das rosas no caminho com medo dos espinhos; quero-os como quero tudo que compõe o cenário! As feridas não me assustam...
Não dispenso os ventos vindos do sul; quero-os para refrescar o calor da paixão que acende nos passos que seguem! Não temo se ficar frio... estou pronto para doar o calor que faltar.
Veja! Não é puro e apaixonante o raio brilhante de sol que rasga as sombras e apresenta as perfeições núbias deste caminho rico de belezas?
Os passos seguem, monte acima e o sol desponta nova era! Esperança é fonte abundante que despeja vida em meio à paisagem e o paraíso se completa nesses "jardins suspensos" no qual me perco prazerosamente.
Amor? Plantado, cuidado, regado e florido para sempre.

(um tanto de beijos pra você!)

domingo, 18 de março de 2012

Mácula em um coração puro


Ao som de "Same mistake", James Blunt

Palavras impensadas, ditas do fundo de um coração simples...
Movimentos incalculados, feitos da ignorância ainda presente na mente inquieta...
Como limpar as mãos sujas de atitudes perversas?
O peito dói de remorso... os olhos choram de tristeza...
A boca quer gritar "eu errei" para que os ventos levem aos quatro cantos a vergonha da conduta torpe...
Será que um dia o perdão santo será derramado sobre minha cabeça?
A mente refaz, caprichosamente, a cena vil...
A vergonha toma conta idiossincrática...
É tarde demais?

(desculpe por tudo o que aconteceu... não era o que eu queria)

quinta-feira, 8 de março de 2012

I choose a mortal life - part III


Ao som de "Set fire to the rain", Adele

Meu coração descompassado navegava inseguro e trôpego os mares da solidão a que a vida lançara-me e, qual naufrago das delicias de um sentimento puro, esqueci de içar-me velas para chegar, um dia, ao porto seguro de um amor sincero...
Não quero mais o pedestal a que me modelam para guiar outros que não sei quem são; desprezo os rótulos, desprezo os títulos, desprezo tudo. Mas pelo que?

- Qual sentido navegar se as turbulências desse mar de usuras não tem fim? Ah! Leve-me para o fundo, mar de desventura e dor sem limites! Melhor afogar-me nas tristezas que morrer à deriva de uma ilusão.

Assim, entre a súplica e a morte do coração, esperava o naufrágio certo, sem forças para continuar remando e sem rumo entre as ondas para seguir, quando tu-vendaval arrebata-me carcaça e leva-me sem freio para um redemoinho de ternura e, enternecido, entrego-me por inteiro... tudo parece fazer sentido enfim.
Onde tu, amor-em-brisas, que deixaste-me na solidão por tanto tempo?
A vista se fecha em tornados multi-cores e a esperança rega a semente que um dia germinará!
E nas tuas caricias revigoro-me para um novo amor; e nas tuas ternuras percebo-me sedendo do teu beijo cálido a fazer-me crer ser possível ser seu para o além!
Queres-me? Aqui estou! Sou seu.

(I choose a mortal life)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Medo em forma de violência e sangue


Ao som "Minha Alma", O Rappa

Não passavam de 9 da manhã. Eu estava pronto pra sair quando me lembrei que deveria colocar alguns arquivos para baixar no PC; minhas séries favoritas esperavam por mim quando eu voltasse do trabalho.
De repente, na loja ao fundo de casa, ouço meu pai chamando por minha mãe. Nada diferente, pois sempre que ele precisa de algo, é a ela que recorre.

- Mãaae... o pai está chamando a senhora na oficina - digo displicentemente para o quarto ao lado.

De repente, um grito desesperado de meu pai chamando minha mãe. Não penso duas vezes: pulo da cadeira e corro até os fundos. Da porta da cozinha, vejo pela vidraça que dá para a loja dois homens com capacetes e jaquetas ameaçando meu pai; um deles estava armado (a partir de agora o relato pode ficar um pouco confuso, pois não tenho muita certeza de certas partes; logo, é um compilado do que vivi e do que meu pai disse que aconteceu).
Correndo em direção aos fundos da loja (que dá para a varanda de casa), pego ao lado da porta da cozinha um rodo. Já na porta, acerto o rodo no pescoço de um dos assaltantes, dou um grito (segundo meu pai eu disse "larga o meu pai") e pulo pra cima do outro, que estava segurando meu pai. Solto, meu pai parte pra cima deles comigo.
No meio daquela confusão, um dos assaltantes saiu correndo pela porta da frente; saltou por cima do balcão de atendimento e correu porta afora. O outro se desvencilhou de um empurrão e também saiu correndo. Meu pai ia atrás. Entre os gritos de susto e confusão da minha mãe e irmã no fundo da loja ("Meu Deus do céu, o que está acontecendo?!") e a tentativa de ajudar meu pai, vi o assaltante que ficou para trás se virar, apontar para o vidro escuro e atirar.
Não vi bem o que fiz; peguei meu pai pelas costas e puxei para trás. O tiro foi ensurdecedor. Minha mãe, apresentando uma coragem insana na hora, passou por mim e meu pai caídos no chão e foi até a porta da loja tentar identificar a placa do veículo da fuga dos assaltantes, alheia aos meus gritos de "Volta mãe que eles estão armados... volta!".
Olhei pra baixo; o braço esquerdo do meu pai sangrava. Entre o desespero e o medo, gritei algo como "pega um pano... o papai tá sangrando" e "liga pra polícia, liga pra polícia" enquanto fazia um torniquete no braço de meu pai para estancar o sangramento.
Como moramos no centro da cidade, a polícia chegou em 3 minutos após a ligação, armados de vários tipos de armas que nunca ouvi falar. Enquanto alguns dos oficiais pegaram meu pai e levaram correndo para o Pronto Socorro, outros pegaram outra viatura e tentaram refazer o percurso dos meliantes e outros ainda nos interrogavam para tentar entender o que houve.

- Quem estava na hora do ocorrido? - pergunta o Sargento para minha mãe.
- Era meu filho. - e aponta pra mim.
- Você conseguiu identificar alguma coisa nos assaltantes?
- Não... eles estavam de jaqueta preta, jeans escuros (eu acho) e capacetes pretos. - disse por minha vez.
- Não viu mais nada?
- Vi os olhos do que estava com a arma.

Depois de ter ido à delegacia tentar reconhecer o tipo de arma (era uma automática), tentar identificar um dos assaltantes pela parte do olhos, prestar depoimento, ligar para meus irmãos em outra cidade (quase tiveram um ataque do outro lado da linha - fizeram em 2 horas uma viagem que duraria 3:15 horas em condições normais), observar a perícia, ligar para meu amor (na época, para conseguir na voz um pouco de tranquilidade e equilíbrio que me faltava), visitar meu pai no hospital (graças a Deus nenhuma osso ou artéria foi atravessado, apenas o músculo), atender a todos os telefonemas e visitas em minha casa (notícia ruim chega por Sedex 10) e espantar os repórteres urubus que esperam uma grande notícia para ter o que falar a semana toda (cidade pequena é foda!), dentre outras coisas, desde esse dia não esqueci o olhar daquele rapaz!
Por várias noites eu sonhei e me vi na mira daquele olhar. Era um olhar jovem, acredito que de alguém bem mais novo que eu! Um olhar de raiva e rancor... um rancor que não era contra meu pai, contra mim ou contra alguém da minha família; diria até que era um olhar de medo! Um olhar de raiva de si mesmo!
Queria ter conhecido o dono desse olhar em outro instante, onde eu poderia acolher seu medo e dizer que daria tudo certo; apontar uma direção segura para suas atitudes além da criminalidade e da perversidade. Queria poder ajudar a enxergar esperança nos momentos de dor e conflito que ele infelizmente não soube compreender e passar com serenidade. Apenas queria estar perto...
Hoje não tenho mais medo ou raiva do que aconteceu. Apenas sinto piedade dos sujeitos! Não sei explicar porque, mas sei que é o melhor que posso fazer, pois a violência de um ato não justifica a violência, em qualquer fase, de um outro ato.
De minha parte, gostaria apenas de dizer para o mundo que apenas o amor, indistinto e pleno a qualquer pessoa, pode ser capaz de mudar uma situação como essa!
Mesmo com a recomendação de que não devemos reagir, por amor a meu pai eu arrisquei minha vida (segundo o Sargento, se eu não houvesse puxado meu pai, teria acertado direto no coração)! Mesmo com todos os motivos para me revoltar, por amor à criatura humana, perdoei de coração esses que fizeram mal à minha família.
Hoje, minha história tem um final feliz, diferente de tantas que já li no jornal. Com o amor, todas elas poderiam, podem e acredito que serão felizes!

(depois de meses do ocorrido, deixo este Diário Explicito como maneira de elaboração a situação e tentar esquecer a cena de confusão, as marcas pelo chão e o cheiro do sangue em minhas mãos)