Estrelas do meu céu...

sábado, 31 de julho de 2010

Cansei


Estou farto de ter que acordar pela manhã querendo continuar na cama e não poder.
Estou farto de ter que colocar no rosto o meu melhor sorriso e dizer que está tudo bem quando na verdade quero é sumir do mundo.
Estou farto de ter que ser otimista para um bando que não conseguem ver nada além do pessimismo que lhes sobeja o psiquismo.
Estou farto de ter que ser o responsável em tudo quando todos os outros se permitem e são irresponsáveis e não são julgados, condenados ou mesmo repreendidos.
Por que eu, afinal de contas?
Sou não bom assim? Sou tão mau assim?
Existe apenas eu no mundo pra que tudo aconteça e onde todos se ancorem?
Quem me designou como âncora de salvação? Não quero a missão de Jesus pra mim e, se bem me lembro, Ele mesmo não veio salvar, mas ensinar o caminho... então, que cada um deixe de preguiça e comece a caminhar, porque eu vou por mim!
Sei que soa ruim para quem lê (acredite, soa ruim pra mim que escreve também), mas uma hora a gente cansa de se fazer de cavalo "pros" outros montarem preguiçosamente e dizer que estão seguindo...
Desculpe, mas não dá mais... isso não aceito!
E, talvez quando a minha raiva passar, e minha revolta, minha dor e meu cansaço, eu repense o que escrevi e perceba que posso ser menos dramático!

(um momento de desabafo)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Não é danoninho, é Chambinho...


Quando vi a primeira vez, achei que fosse uma menininha!
Talvez pelo tamanho (baixinha...),
Talvez pelo rosto de bonequinha...
Talvez pelo sorriso alegre,
Talvez pela meiguisse sincera...

Quando vi a segunda vez, percebi que era uma mulherzinha!
Talvez pelo tamanho de sua inteligência,
Talvez pela profundidade de sua alma...
Talvez pela diligência do seu conhecimento,
Talvez pela imponência do seu olhar...

E continuei a olhar e percebi, a tempo
Que não era apenas uma menininha
Nem tão pouco apenas uma mulherzinha
Era tudo quanto ela se permitia
Tudo quanto todos gostariam (será que isso é bom?)

Essa menina-mulher que vi tantas outras vezes
E que a amizade brindou num encontro real
Trouxe para minha vida um toque especial
Uma expressão intrigante e intensa, sem perder a leveza

É o misto perfeito da docilidade e da firmeza
A junção singular da moldagem e da modelagem
O intento sutil do sorriso e da lágrima
A unicidade dentro do plural que é a minha, a sua e a vida do mundo todo!

"Ontem" eu conheci a menina
"Ontem" eu conheci a mulher
"Hoje" eu presencio a vivência de ambas
Sem que uma anule a outra, mas completando-se mutuamente

Agora sem viver dos outros, mas com os outros
Aprendeu a ter a si mesma,
E a viver, e a sentir, e a desejar, e a lutar, e a ser, e a fazer...
e...


(para Dani, minha querida amiga... ela vai entender o título e a imagem subjetivas, rsrsrsrs)

terça-feira, 27 de julho de 2010

O luto


O luto é um fenômeno estranho,
De saudade e despedida ao mesmo tempo...
E quanto mais se vivencia esse momento,
Mais acumulada a saudade vai sendo...

Mais lembranças trazidas à tona (boas e ruins),
Mais queremos que a pessoa à nossa frente fique aqui, num mundo que não é verdadeiramente o nosso,
Mais duvidamos, em quase todos os casos, da sabedoria de Deus...

O luto é um fenômeno estranho,
De entrega e trauma ao mesmo tempo...
E quanto mais se espera que o tempo passe,
Menos ele parece que corre...

É porque o tempo (ou a sua percepção) é sábio,
Dá aquilo de que precisamos,
E por mais que o peito doa e arda,
É na lentidão da dose homeopática que as cicatrizes virão!

O luto é um fenômeno necessário,
Para que a dor e a saudade sejam amenizadas...
E por mais que jamais sejam transformadas,
Com certeza serão suportadas...

(recentemente para meu primo, mas para todos aqueles que figuram meu coração e já estão na pátria espiritual... que Deus os ilumine sempre)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Saudade


Tem dias em que acordo com um sentimento nostálgico oprimindo meu peito
Poucas vezes não consigo identificar que sentimento é...
Quase todas as vezes percebo que é a saudade a me levar à um passado que já não pode voltar!

As lembranças de ser criança...
As descobertar do viver...
Os desejos não realizados...
Os desejos que não deveriam ter sido realizados...
Os desejos bem realizados...

Os brinquedos, os doces, os segredos (e que segredos)...
As brincadeiras, os namoros, os encontros (e que encontros)...
Os programas de tv e da vida real que se fusionam nas inúmeras emoções que coexistem dentro de mim...

E quanto mais eu lembro, mais o coração aperta
E o corpo reagem à uma sensação desejosa de continuar a sentir isso,
Mas que a razão repele firmemente pra que eu não me prenda ao passado!

E junto com o sorriso vem a lágrima...
Junto com a emoção vem a repulsão...
Paralelo ao brilho dos olhos vem o soluço doído e profundo...
Cores, cheiros, brilhos e rostos giram na memória...
A mente se expande ao infinito...

E só me sobra respirar profundamente, colocar um sorriso lânguido nos lábios e tentar fazer que o presente seja tão marcante quanto tudo que deixei no passado e a saudade me lembra, constantemente...

(para meu amigo Fernando, que mesmo no plano espiritual, sempre vem me trazer o prazer do seu beijo carinhoso e fraterno...)

domingo, 25 de julho de 2010

Criando um espetáculo


Pensa um tema, agora um nome;
Procura música, muitas, muitas músicas;
Cria passos, mesmo que apenas na sua cabeça;
Utiliza muitos já inventados, pega emprestado...

Escuta todas as músicas procuradas até achar a que combina com o tema;
Esquece diversos temas porque achou a música perfeita mas que não combina com nada;
Casa diversas músicas num pout-pourri estranho, mas que fica lindo;
Tenta adequar o diversos passos que pensou com a música que inventou...

Pensa no figurino perfeito,
Na luz perfeita,
Com aqueles passos bem desenhados com o corpo,
Com aquela música alta e bem envolvente...

Percebe que na sua imaginação nada pode dar errado,
E quando começa os ensaios
Entende que vai dar mais trabalho chegar à perfeição do que se imagina!

Mas qual bailarino/coreógrafo que não gosta desse desafio, principalmente quando todos os músculos doem?

(para o espetáculo do Grupo de Dança Iluminar, "Idas e Vindas")

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dor e satisfação


Quando:

os músculos doem...
as pernas enrigessem...
os braços queimam...
o suor pinga...
o peito arfa...
o pensamente desanuvia...
a lingua deseja...
o olhar fixa...
o rosto se contrai num misto de dor e prazer...
fico extremamente feliz!

Sinal de que estou trabalhando, que estou saudável e que meu corpo vai ficar massa... rsrsrs!!!

(aposto que pensaram em outra coisa, rsrsrsrsrs...)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Depois de tanto tempo... reencontro (parte I)


Uma mesinha, quatro cadeirinhas
Uma, em meio a tantas outras mesinhas e cadeirinhas
Um momento em meio a tantos significativos (talvez esse foi dos mais pra mim...)
Uma história, quatro amigos...

Um, moreno como o chocolate, aquele ao leite, gostoso por si só
Um, um tanto amarelo, como o ouro a espargir a alegria que lhe sobejava
Um, braquinho, como o leite a nutrir a vida ao redor
Um, a mistura perfeita de todos, acredito que o elo construtor

Os quatro eram grandes amigos, cada um na sua maneira de viver
Os quatro tinham sonhos, desejos e a vontade de ser

Dos quatro, dois eram muito amigos
Nas brincadeiras e atividades nunca se separavam
As pessoas e o próprio sorriso
Nessa amizade sempre acreditavam

Mas um dia a vida os separou (por muitos motivos)
Cada um foi para um canto (para muitos cantos, longe...)
E sem que percebecem, no entanto
Que uma cisão os levaria ao pranto

O tempo porém não para
A vida segue sua estrada
Os quatro amigos cresceram (será que hoje ainda podem ser chamados assim?)
Cada um com sua mala (pesadas, tenho certeza)

Mas a vida, em seu carrossel
Trouxe de volta uma possibilidade (apenas uma?)
Reconstruir a amizade
Antes deixada no dossel

E o coração vibra feliz com o reencontro
Que não apagou da memória a fisionomia (o nome sim, de um deles)
No moreno-chocolate e no amarelo-ouro, uma alegria (hoje um tanto sem visso pelas amarguras que sofreram)
E quem sabe o que mais pode vir, um dia...


(para Átila, meu grande amigo da pré-escola, que a vida me brindou com esse reencontro)
(a emoção foi muito forte nessa escrita, talvez não consegui expressar o que gostaria)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Deixando a emoção me levar I


São nos momentos que menos esperamos que os Espíritos Superiores, que nos amam e cuidam, se dignam a mandar um sinal de seu intenso afeto e nos faz repensar o passado e o presente para a cosntrução de um futuro cada vez melhor.
Isso aconteceu hoje, pela manhã, na casa espírita, quando num encontro que aparentemente era simples e de praxi, sobre Evangelização, as forças do universo se movimentaram e me tocaram profundamente a alma, fazendo com que lágrimas sinceras vertecem do fundo do coração para os olhos, mesmo jovens, já cansados da dor e do mal.
Primeiro, no momento de regar as plantas na porta da casa espírita, um incomodo soprou em minha mente: "você continua brigado com seu irmão..."; como se fosse um mosquito muito do chato, abanei para que o pensamento fosse embora. Era um pensamento recorrente que, por maior minha insistência em afastá-lo, mais ele se aproximava.
Nesse instante os companheiros que fariam a facilitação ao tema chegaram. "Graças a Deus!", pensei eu em minha ingenuidade característica e, incrivelmente, foi graças a Deus que eles iniciaram a abordagem com a música "O cravo brigou com a rosa".
Imediatamente o pensamento da briga, imediatamente a filosofia "indigesta" da alma entra em ação: "quem é o cravo?", "quem é a rosa?", "quem saiu mais machucado?"... a dor começou a apertar e o remorso a tomar forma nessa proposta de perceber os erros do passado...
"Mas há uma solução!", dizem as vozes deste e do outro lado a vida ao mesmo tempo: o perdão; "havia um cravo, uma rosa e um jasmim..." (quem sabe a linda letra, entende a importância da amizade e do perdão). E no "lava mãos" que seguiu, muito diferente do de Pilatos, havia uma entrega real das mágoas e dores passados, que estavam se enraizando, mas agora eram limpas pelo "sabãozinho" do perdão, lavadas pela "água" da boa-vontade e enxutas pelas "mãos de Deus", a mais macia das toalhas!
A simplicidade da técnica, geralmente utilizada para crianças, me deu uma aula de perdão...
A delicadeza do momento fez com que eu modificasse a estrutura rigida de minha conduta e repensasse os males que estou cultivando em mim e no meu irmão...

(começada ontem... continua depois...)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Inocência


Andarilho viajante dos meus pensamentos
Absorto em mim à preferência de observação inútil pela rua
Vi, sob o clarão da lua
Um olhar atrair minha atenção

Poderoso turbilhão na multidão
Como uma chuva de estrelas cintilantes
Esse olhar fez-se dilacerante
Estraçalhou tudo quanto um dia eu fui...

E, sem dó ou piedade, partiu
Com um sorriso enviesado, virou a esquina
E correndo atrás desse doce enigma
Me vi perdido numa rua bem conhecida (paixão?)...

E fiquei a olhar o vazio,
Que estranhamente já não era sofrido
Porque da solidão que provavelmente teria sentido
Ficou a lembrança de um olhar divino

Mas a realidade é esmagadora frigida
Fere e marca com "ferro e sombra"
Me lembrou de uma estrada longa
De espera e procura rigida

E entre a dor e a ilusão que partiu
Prefiro ficar assim por enquanto,
Sem mim, sem fôlego e sem o olhar que quero tanto
Contemplando as estrelas na memória em recanto

Ainda hoje lembro do episódio, como cena gravada na retina
Um olhar de inocência pequenina
Esfinge enigma, de desejo e devoção...
Malevolente, contudo, pelo que fez ao meu coração!

(para os olhares que me conquistam)

Corpo


Um delírio insano percorre a pele, metamorfoseada em forma de arrepio febril
O desejo esparge pelo ar o virus letal da necessidade de outro corpo
Junto, colado, embebido do seu...
Unificado na plenitude do cosmo
Substancializado naquilo que já foi apenas eu!

Um calor doentil percorre os pelos, ardendo causticamente as células meretrizes
E o toque, mesmo uma gota no deserto, tem mais que mil conotações nos sentidos
Que enlouquecem, aguçam-se mutuamente...
Dilaceram os pensamentos pueris
Aprimoram os intentos sutis!

A razão perde-se nas sensações, famigerada pelo querer insaciável do toque
E do beijo, e do abraço, e do perfume, e do suor...
E assim deixa de ser razão e passa a ser desafio
De controlar os impulsos pecaminosos...
De santificar as atitudes desejosas...
De eternizar o prazer esplendoroso e deixa voar
Numa suprema e insofismável entrega!


(para um momento de desejo aparentemente incontrolável...)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Punhal sangra coração


Nos idos da Espanha ocidental,
Num período não tão distante do presente
Um conto trágico teve início,
Com alegria, amor, choro e suplício.

Era tourada na arena principal da cidade,
Que em si era bela e excitante
As protagonistas, no dia fatídico, eram
Um toureiro valente e um touro galante.

Numa luta de vida ou morte,
Onde era impossível dizer o futuro
Touro e toureiro se enfrentavam,
Na luta víscera de um amor profundo.

Um lutava pela vida,
O outro pela glória...
Um lutava pela cria,
O outro pela vitória...

A platéia estava dividida,
No espetáculo que ficaria na memória
Toureiro valente e touro galante faziam
De tudo para ficar na história.

Enquanto eles se atracavam,
Numa luta de gingas e investidas
A multidão se adensava,
Gritava, assoviava e aplaudia.

O tempo ia passando
A empolgação foi diminuindo com as corridas,
E no momento em que um deles cansou,
A multidão deu a disputa por finda

Um único golpe precisava ser desferido
Forte e certeiro no coração oponente
As glórias, os glamoures e "as pretendentes"
Estavam à espera daquele mais valente

E no momento em que o sol se punha
Vermelho como o sangue que jorraria
Um punhal foi atravessado
No coração de quem não merecia

Dificil dizer quem era esse
Se toureiro valente ou touro galante
Pois ambos foram feridos
No coração recalcitrante

O punhal de prata formosa e brilhante
Empunhado pelo toureiro valente
Estava cravado no coração do touro
Que mesmo galante, sangrava ligeiro

Mas o que poucos esperavam
Pela astúcia mostrada pelo toureiro
Era que um chifre afiado do touro
Penetraria a armadura, certeiro

E quando a noite já caia
Célere e rápida vinda do norte
Toureiro valente e touro galante
Embebidos de sangue, aguardavam a morte

E entre gritos e soluços
Da platéia expectante
Os cawboys vieram em prece
Cumprir o seu último ofício

Retirar daquele lugar triste
Lúgubre, funesto e sombrio
Corpos rígidos e frios
De duas almas ébrias e firmes

Contudo, na cena do crime
Que encerrou a saga de duas vitórias
Ficou, para contar a história triste
Além do sangue, da dor e da revolta

O punhal sangra coração
Que mais que lâmina brilhante e distinta
Era também um chifre rígido e de face fendida
Ensanguentados na dor e emoção...

E como tudo quanto escrevo
Que vem de minh'alma, em relevo
Trago esse conto subjetivo
Que foi de alegria, mas agora sobrou a dor e o suplício!

(isso vai passar também...)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Poema de desligamento


Nada na vida dura para sempre
E a certeza dessa verdade é o que acalenta meu coração!
Nada no mundo vive eternamente
Nem pedra, nem amor, nem emoção...

Nada da vida permanece inalteravel
E a beleza dessa frase não espanta o meu remorso!
Nada no mundo se estende inabalável
Nem razão, nem empolgação, nem esforço...

Nada com a vida deixa de ter sentido
Mesmo que este perca um pouco do seu visso!
Nada com o mundo deixa de ser uma escola
Nem os desejos, nem os carinhos, nem aquilo ou isso...

Nada pela vida deve ser uma prisão
Mesmo que os grilhões tenham o nome de amor!
Nada pelo mundo precisa das correntes da dor
Nem os corpos, nem os sentidos, nem os "alôs"...

E mesmo com os amores, as dores, os aprendizados
e a efemeridade do sentimento (de ambos),
Eu preciso continuar
Na vida, pela vida... e no mundo e para o mundo!

Porque da vida e do mundo eu espero o que tenho e muito mais
E o que me falta e não consegui agora,
Sei que o tempo fará o fazer de trazer pra mim (como sempre)
E minha felicidade será completa, na conquista de mim mesmo (com um outro que chegará)...

(não sei o que dizer...)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Finalmente, coisas incomuns...


O vai e vem do tempo,
Comunicado que está com o mundo,
Intricado que está com a vida,
Enredado que está com o universo,
Plenificado que está com Deus,
Traz novamente do breu coisas comuns...
Que acalentam a emoção, o sentimento e a razão!
Envolvem e enriquecem o coração!

O vai e ve do tempo,
Sancionado que está pela razão,
Emulsionado que está pelo tesão,
Fragmentado que está pela emoção,
Divinizado que está pela respiração,
Traz da luz, finalmente, as diferenças...
Que apimentam a inspiração!
Abalam as estruturas, excitam a criação!

O vai e vem do tempo,
No ir e vir,
No fazer e querer,
No ser e não ser,
No ter e deixar de ter,
Misturam o comum e incomum...
Criam uma nova maneira!
Apresentam uma outra idéia!

E incrivelmente dá certo no descobrir e redescrobrir a relação...
Instigam e provocam mais o desejo, o querer e o fazer acontecer!

(pra você que tem coisas incomuns comigo)

Afinidade


Ontem me deparei com uma pessoa de quem não gosto (e incrivelmente me surpreendi em perceber e aceitar que não gosto dela) e, no incomodo característico das almas que questionam a si mesmas e tentam se descobrir numa autoanálise, queria, por tudo na vida, entender esse processo de gostar e não gostar de alguém que, em tese, não tem nada a ver com minha vida.
A principio, novamente me doendo profundamente, constatei que a pessoa em si tinha diversas qualidades das quais eu sou desprovido ou que tenho em menor escala; imediatamente comecei a repassar todas as minhas qualidades, principalmente aquelas que ilusoriamente acreditava que a pessoa em questão não teria (não podia me autoflagelar assim sem um curativo ou remédio consciencial para amenizar a dor).
Em seguida (e talvez essa seja a tarefa mais difícil) passei a me perguntar por que não gostava dessa pessoa. Ora, eu nunca convivi verdadeiramente com ela e os contatos que tive foram em momentos de euforia, aos quais todos estamos sujeitos a dizer bobagens; também, não tenho nada contra ela ou o que quer que ela faça (ou contra alguém da família, ou o trabalho que exerce, os as pessoas com quem convive...), nada que realmente justifique, nesta vida, a falta de afinidade!
Finalmente, percebi o inevitável: me deixei levar pelas aparências; fui superficial!
Se conseguisse descrever em palavras a minha sensação, acho que seria a de desespero por estar saltando, sem bang jump, no Grad Cannion... o mundo desapareceu sob meus pés e passei a vagar pelo espaço da minha vergonha, sem rumo certo!
Talvez quem não me conhece, não entenda como isso possa ter me afetado tanto! contudo, desde que me entendo por gente, tenho apreendido, compreendido e vivido de maneira a tentar dominar minhas más tendência, ser melhor do que sou e evoluir cada dia um pouquinho (mesmo que esse pouco seja bem pouco, quase um grão de areia. Ainda assim, é evolução). Vindo de uma família de classe média baixa, sempre tive que ajudar meu pai no trabalho, ajudar em casa com a organização no que era necessário, tirar boas notas nas escolas (todas públicas, graças a Deus), me dedicar o máximo que conseguisse no que queria fazer, economizar e várias outras situações que a vida me colocava.
Sempre convivi com todos os tipos de pessoas e me achava imune à doença da superficialidade, abraçado a um corpo doutrinário que tem por base a caridade e o conhecimento de si como condições expressas para a felicidade plena (Espiritismo); entendo em teoria e tento com todas as forças praticar a caridade como entende e pratica Jesus (benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas); me formei em uma ciência que tem por base o autoconhecimento humano para a organização do espírito imortal que somos (Psicologia); me dedico na compreensão do ser e na vivência para conseguir me sentir bem...
Talvez esse breve relato da minha vida possa dar uma noção da minha vergonha ao perceber que ainda estou muito abaixo do grau evolutivo que gostaria de estar (não pretendendo ser como Chico Xavier, ou Tereza de Caucutá, ou Gandhi, ou Luther King, ou qualquer outro grande nome que tenha sido um exemplo de vida verdadeiramente cristã, independente da religião ou da politica que abraça - sugiro que os leitores entendão conduta cristã como algo que modifica a estrutura do pensamento e do comportamento, muito mais que uma forma piegas de religiosismo, pois não era esse o intento do Cristo.) e me deixo levar por sentimentos e atitudes menores... pra mim isso doi muito.
E depois de refletir e sofrer o necessário para continuar a caminhada, lembrei da frase de Jesus, sábia como todas elas, que diz "Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa; se alguém vem obrigar-te a andar 1000 passos com ele, anda 2000..." (Mt, 5:40-41). Para mim esta máxima, que está no Sermão da Montanha, na parte que fala sobre amar os inimigos, é o maior ensinamento sobre convivência e renuncia...
É preciso ser muito maduro para renunciar a si e considerar os próprios erros; é preciso ser muito seguro para tentar um relacionamento com o outro, mesmo acima das suas percepções ilusórias e considerações infantis; é preciso muito de nós para aceitar o outro como ele é, e como Jesus, abençoar e amar!
Não digo que vou conseguir seguir Jesus imediatamente, mas posso afirmar que não me sinto mais incomodado ao lembrar da pessoa em questão, com quem não me afiniso, porque embora saiba das divergências espirituais que possam nos cercar ou dos nossos conflitos de vidas anteriores, tenho certeza que tudo isso deve ser ajustado nessa vida (e nas proxímas, caso não consiga me entregar de mente e espírito à reforma de mim mesmo), aceitando-a e tentando conviver e perceber o quão importante ela é no plano da criação, o quanto posso aprender e o que ela tem de melhor para oferecer! Assim, a falta de afinidade será transformada em afinidade; o ruim não importa, nem o meu e muito menos o dela...

domingo, 4 de julho de 2010

Você é substituível?

Tenho plena certeza que você já leu ou ouviu a frase "Ninguém é insubstituível"! Se acaso não, tenho o desprazer de aprensentá-la à sua lista das mais abomináveis mentiras do mundo...
Infelizmente tornou-se comum na atualidade, a divulgação desta frase-mentira nas redes de comunicação social, nos lugares de aglomeração das massas, nas religiões e doutrinas filosóficas. Será isso um complô? Um surto em massa? Será uma confusão generalizada?
Aparentemente não. Acredito que seja uma nova forma de tortura nunca antes pensada desde a idade média ou o período da china ditatorial; parece uma nova doença social, um vírus poderoso, um anticristo indesejável, uma forma de alienação do self, profundo e destruidor, que se instaura no ser a partir dos alicerces da falta de amor próprio, da falta de respeito mútuo, da discórdia de opiniões, do melindre, da falsa modéstia, da hipocrisia, da omissão, do orgulho e do egoísmo, fixados pelo cimento dos maus-tratos, da auto-flagelação (fisica ou psicológica), da autocomiseração, da impiedade, da inveja, do ciúme e tantos outros que não consigo descrever agora.
Quem disse que ninguém é insubstituível? Para mim foi alguém que estava se roendo de inveja ou de raiva por não ter mais por perto uma pessoa muito importante, independente se para a vida profissional ou pessoal e, por algum motivo que apenas o passado sabe (além de Deus), não conseguiria estar mais perto da mesma; ou talvez alguém maquiavélico o suficiente para desprezar o ser e o fazer de outro ser humano, relegando ao lixo e ao submundo tudo quanto é esforço do outro.
Contudo, pior que isso é a facilidade em divulgar uma idéia! Do passado ao presente a melhor maneira será "trajar-se" de importante, impor a voz ao vento dos acontecimentos e da volúpia humana e tentar usurpar o lugar da razão com palavras bonitas e uma intonação reverente... pronto, o caos está formado!
Mas não sei se tenho raiva do que dissemina tais absurdos ou dos que acreditam. Na minha visão otimista dos fatos, sempre acreditei no ser humano como passível de raciocinio lógico, ou pelo menos de um questionamento a partir daquilo que apreendeu ao longo da vida, mas constatar que infelizmente não é assim que ocorre, é muito triste. Percebo que há momentos de lucidez, mas não consigo entender por que a consciência não alertou no instante de um atentado tão cabal à própria felicidade própria!!!
Tudo bem, não tenho nada a ver com o fazer e ser de ninguém, mas, no que diz respeito a mim, EU SOU insubstituível!
Sou único em todo o universo incomensurável criado por Deus, misericordioso e bom, que me sustenta e espera de mim sempre o melhor; minha forma estrutural foi destruída assim que a "grande obra" foi terminada e mesmo que hajam pessoas semelhantes a mim fisicamente, nenhum deles se compara a mim (e também não tenho o desejo de me comparar a eles); minhas vivências e modo de fazer são únicos, porque refletem o aprendizado, compreensão e evolução que adquiri com o tempo, com pessoas com quem convivi, com situações pelas quais passei, com os habitos que adquiri, com os gostos e desgostos que tenho (e etc, etc, etc, etc...) e ninguém vai conseguir fazer como eu. Podem fazer melhor ou pior mas, como eu, ninguém!
Então, para desgosto de muitos, prazer de outros e um grito profundo de libertação deste mal, afirmo a partir do que acredito e vivo: todos somos insubstituíveis.
E àquele(s) que não acredita(m), tem a minha piedade, a minha descrença e um pouco do meu repúdio!

(para os que já ouviram ou ouvirão esta frase)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Refriado


Tosse, tosse, tosse... escarra e cospe...
Credo, que nojo! Ai, que raiva!
tosse, tosse, tosse... respira e volta a tossir!

A cada tosse o peito arde (nem com paixão ele faz assim)
A cada folego o coração bombeia forte (nem com beijo fica assim)
A cada escarro a garganta aperta (nem o choro deixa assim)

Nova crise de tosse, nova sensação de exaustão
Nova falta de ar, nova vontade de sumir
Nova dor de cabeça, a febre não para de aumentar

Tosse, tosse, tosse... escarra e cospe...
Ai, que dor! Arrrrrrr que horror!
tosse, tosse, tosse... respira e volta a tossir!

As pessoas se afastando
As lágrimas escorrendo
A pilha de lenços de papel aumentando no cesto
(e dalhe nova crise de tosse, até na hora de escrever...)

Tosse, tosse, tosse... escarra e cospe...
Eita rouquidão danada! Ai, coriza chata!
tosse, tosse, tosse... respira e volta a tossir!

Mas o resfriado tem suas coisas boas
A mãe se achega; afaga e traz broa (minha quitanda preferida feita por ela)
O trabalho fica pra depois, quando achar que vou conseguir levantar a cabeça pesada
(até que uma nova crise de tosse aperta sua cabeça e você percebe que seria tão bom deixar de tê-la...)

E por fim a gente desiste; não aguenta mais sofrer
Dá o braço a torcer e aceita o inevitável: não somos super-homens e nem homens de aço...
E dalhe xarope, chá, comprimido,
injeção, gemada e tudo quanto tipo
de método médico e terapêutico
pra fazer passar o irritante resfriado que insiste em tossir, tossir e tossir!

(para as duas semanas de resfriado que peguei, aff...)