Estrelas do meu céu...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma outra imagem


Ao som de "I feel pretty/unpretty", Glee

Outro dia estava andando pela rua com um grande amigo. Discutiamos futilidades, o que é muito bom para desestressar. Tanto um quanto o outro dizia dos desejos e sonhos de honra, glória e poder que nos assaltava o íntimo, rindo alto e chegando à conclusão de que talvez Deus tenha acertado quando dos mandou pobres e sem a "honra e glória" do mundo.
Tudo ía bem. Paramos para tomar sorvete (o meu, de limão com castanhas de caju, calda quente de chocolate e cobertura de morango, como sempre). A conversa prometia ir longe e, se dependesse do nosso repertório, uma vida seria pouco (rs). Mas um encontro inesperado mudou os planos, em parte.
A princípio nem dei atenção à pessoa que estava entrando na sorveteria; vi apenas que era um homem. Olhei sem dar muita atenção, e continuei conversando com meu amigo. Não mais que dois minutos depois, ouço ao meu lado:

- Oi, Éverton! Beleza?

Um pouco surpreso com aquele cumprimento (minha vantagem é que sei disfarçar bem), cumprimentei o mais educadamente possível, tendo o cuidado de não falar o nome do "cara" para não cometer um gaff:

- Opa... estou bem sim e você?
- Tô bem! E a família, como vai?
- Graças a Deus, todos bem. E o seu trabalho (como nem identifiquei quem era, mesmo que vagamente familiar, preferi não arriscar muito; apenas torci para ele estar trabalhando ainda)?
- Ah, vai bem... tem que trabalhar muito pra conseguir ter uma graninha, né?! (ele riu alto e eu acompanhei... estava uma situação bem estranha e meu amigo estava percebendo, porque estava desfarçando o riso! É nessas horas que detesto grandes amigos... eles nos conhecem direitinho).

Alguns segundos de silêncio se transcorreram, porque eu não arriscava dizer mais nada, até que:

- Nossa, o que você fez para emagrecer assim? Me ensina?! Você tá bonitão!

Se antes estava um pouco surpreso, agora eu estava visivelmente surpreso. Quem era esse que sabia que já fui gordo? Não tenho nada contra ser gordo ou contra as pessoas gordas, mas já fazia mais de dez anos que eu era magro. Passei por vários estagios com meu corpo ao longo desses anos: gordo, magro, muito magro, magro, malhado, fofinho e novamente magro (mais definido, agora)...
Naqueles milésimos de segundos entre a pergunta/pedido e a resposta que dei, voltei no tempo e lembrei de quando era gordo. Estava no Ensino Fundamental, na escola pública perto da minha casa. Mesmo com aquele corpo, eu era muito feliz. Tive a sorte de ser um jovem querido pelos colegas (talvez porque sempre fui muito inteligente e não negava ajuda aos... menos afortunados nesse quesito, rs). Não cheguei a ser alvo de bullying na adolescência.

- Uai. Depois do vôlei, mantive... corrida em volta da praia (é assim que nós em Lagoa da Prata chamamos a lagoa que tem aqui), ballet, tenho cuidado com o que como. - foi o que respondi, agora prestando bem atenção naquela pessoa e me detestando por perceber, dentro de mim, que conheço ele, mas sem conseguir lembrar o nome.
- Nossa Éverton Newton! Você faz ballet? Que massa... você tá bonitão! Ainda bem que minha namorada não reclama do meu corpo, mas eu não gosto de como fiquei.

Aquele "Éverton Newton" fez cair a ficha (ou os créditos, para quem é mais moderno que eu, rs). Apenas um colega meu no Fundamental me chamava assim, justamente pela minha inteligência. E acho que consegui disfarçar bem meu susto.
Novamente em milésimos de segundo, deixei que as asas da lembrança me levassem de volta no tempo. Vi o rapaz mais bonito da escola na época: corpo invejável, divertido, engraçado, descontraído, esperto, mas pouco inteligente, bonito, popular... tudo o que eu não era e nem imaginava que seria possível me tornar. Era (e parece continuar sendo) uma pessoa simples, apesar de tantas características que pudessem desvirtuar seu caminho.Quantas vezes eu já quis ser como ele! Quantas vezes queria jogar tudo para o alto e ser um pouquinho do que ele era na escola...

- Sabe (vou manter o nome em sigilo por questões de ética), acho que precisamos gostar de nós como somos. Emagreci por uma questão natural: exercícios continuados fazem emagrecer. A quantidade de atividades que tenho a muito tempo me ajudam a manter o peso, mas não sou fissurado por isso. Senão, seria o bombado do momento. - disse à ele, rindo.
- É... você tá certo. E continua inteligente, pelo visto (ele riu). Isso é bom: inteligente e bonito... a mulherada deve disputar a tapa (dessa vez foi minha vez de rir). Agora que estou ficando inteligente (rimos todos). Depois, volto a ser bonito. Ai você vai ter uma disputa acirrada!
- Vou adorar. Mas, pra mim, a beleza real você sempre teve. Sempre foi humilde... isso é dificil de encontrar.

Nos despedimos. Enquanto ele se dirigia para o carro dele, percebi que minha fala o emocionou, porque também me emocionou. Naquele momento percebi que todo o meu desejo adolescente se configurava em ser tão humilde como ele era e continua sendo, porque sempre aprendi e soube que a beleza física um dia iria embora, mas a verdadeira beleza permaneceria para sempre.
Hoje sinto que estou ficando bonito. Para aqueles que gostam do físico, devo chamar atenção por ele também, mas sou mais do que meu corpo mostra.

(diário explícito... gosto deles, rsrsrsrs, como agradecimento pelos elogios e convite a conhecerem o Éverton "interior")

domingo, 22 de maio de 2011

Que eu sou...


Ao som de "Quem eu sou", Sandy Leah

Ano passado, teria dito que sou Éverton, um ser humano comum, com 25 anos, atuando como posso como psicólogo, trabalhador da Causa Espírita; também teria dito que sou cheio de qualidades e defeitos... tantos de cada um que me perco no que consigo e no que devo evitar.
Também teria dito que sou o efeito das minhas causas passadas e que serei o efeito das causas de agora; teria dito que sou uma gota no oceano universal e que sou único, mesmo perante infinitos outros "eus".
Algum tempo atrás teria dito que sou libriano, divertido, sarcástico, enigmático, inteligente, racional com um toque de sensibilidade, emotivo com um toque de frialdade; que sou inegavelmente companheiro, mas sem deixar de ser ou dizer "de mim e do que sinto".
Também teria dito que sou tudo o que os outros dizem que sou, porque isso as faz dormir bem à noite, e além de não querer tirar o sono delas, não ligo, tão pouco; teria dito que sou tudo o que as pessoas não conseguem ver em mim, seja por ocultar delas, seja porque ainda não descobri em mim, seja porque elas são desatentas.
Anos atrás teria dito que sou fruto do amor... um amor que vem dos meus pais, irmãos, familiares, amigos e todos que gostam de mim por algum motivo; teria dito que sou força de amar, e que amo com tanta intensidade que movimento o "meu mundo" e o mundo como um todo.
Segundos atrás teria dito que sou segundos mais velho do que aparento e que esses segundos me fazem falta e bem, ao mesmo tempo; teria dito que sou, apenas e simplesmente isso!
Mas hoje, nesta minha segunda data de "aniversário", digo que estou Éverton e que sou um espírito comum em progresso, contendo tudo o que disse, mas em estágio passageiro, visto que estou em eterno ebulir de mim mesmo e, assim, crescendo e amadurecendo mais e mais!

(para vocês que me seguem e para mim que continuo... vamos por mais um ano!)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um lugar ao meu lado


Ao som de "Home", Glee

As cartas estão na mesa. Olhares atentos à reação.
Você joga, eu jogo... cada um compra suas cartas e descarta outras.
Você ameaça, não sei se acredito (é uma ameaça ou uma promessa?).
Será verdade? Talvez um blefe!
Mas algo na sua maneira de falar muda meu jeito de pensar. Algo no seu jeito de olhar muda meu agir.
Há mais que desejo, há mais que medo... há amor.
Um amor que me inibe e ao mesmo tempo me excita; me reorganiza e me expande.
É esse amor que amplia minha visão e me faz acreditar que a vida é maravilhosa.
E meu pensamento voa alto, como numa fantasia adolescente (será que apenas adolescentes se sentem assim?), e desejo que o nascer do sol seja a testemunha desse amor que cresce e que tenha vida infinita; e me permito deixar que as cartas voem ao vento, levando o prazer de um simples jogo para ter a concretude de uma realidade simples e bem vivida. Viro a mesa para encurtar a distância entre nós dois e me entrego ao seus braços num abraço-beijo eternos.
Nesse desejo-fantasia, tudo se encaixa e as casas de cultura e família se unem em uma e tudo o que era incompleto se complementa de eu e você.
Mas eu volto do meu devaneio e percebo que ainda tenho cartas na mão...
Não quero mais jogar... prefiro construir nosso castelo e guardar seu lugar ao meu lado!

(vem construir comigo!)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quando o tempo não para


Ao som de "Runaway", The Corrs

Quisera conseguir parar o tempo e manter a noite por mais algumas eras; quisera conseguir manter você do meu lado, mesmo que apenas em sonho...
Quisera poder congelar o universo e dá-lo de presente a você, com um laço de fita; quisera desenhar um caminho com as estrelas até a minha vida, mas meu coração já te pertence...
Quisera entender a distância, mas prefiro viver a proximidade do seu amor...
Mas quando o tempo não para, e o sonho se acaba, e o universo se movimenta, e as estrelas permanecem fixas no céu e a proximidade está distante demais, eu fecho os olhos, penso em você, sinto seu amor como perfume no ar e continuo minha vida languidamente, na esperança-certeza de que um dia tudo isso será possível!

(eita... um dia eu também entendo! rsrsrs...)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A última que morre


Ao som de "Sing", My Chemical Romance

Desde a graduação aprendi - e hoje vivencio - que Psicologia, ao contrário do que muitos dizem e acham sem saber de fato, não é uma profissão da alegria; além de todos que nos procuram não estarem verdadeiramente felizes - desconheço alguém plena ou parcialmente feliz que tenha procurado auxílio psicológico - nós, profissionais, apenas nos sentimos felizes quando uma intervenção funciona ou quando um cliente tem "alta". Sabendo disso, muitas vezes volto para casa triste... uma tristeza que diz da minha limitação em conseguir ajudar o outro; por vezes isso me dói muito.
É nesse contexto que a mais de dois meses fui à sauna, para relaxar a mente e o corpo... esquecer em meio o vapor as tristezas que fui acumulando. Sentado em uma mesa, entre uma sessão de vapor e outra, tomando um refrigerante, fiquei observando três adolescentes jogando sinuca no bilhar um pouco à esquerda (sei que eram adolescentes pelo modo de conversarem, as brincadeiras típicas da idade e a fisionomia). Enquanto eles brincavam e vibravam com as bolas encaçapadas, bebiam pinga (um deles pediu duas doses em poucos minutos, o que me deixou preocupado) me perguntava porque eu nunca aprendera a jogar ou a beber; logo percebi que meus pais nunca haviam me incentivado a frenquentar ambientes com bebidas alcoólicas ou com jogos (quaisquer que fossem) e meu grupo de amigos sempre foi comportado. Também sempre fui muito senhor de mim, sabendo desde cedo o que era bom e ruim. Aprendi com meus pais a enfrentar meus problemas de frente, o que agradeço eternamente.
Durante o tempo de observação, tenho o péssimo defeito de me perder nos meus pensamentos, tanto que um dos rapazes chamou a minha atenção, perguntando se eu queria algo; percebi que estava encarando demais e disse que não, que estava apenas pensando.
É claro que passei a ser a nova atenção dos garotos; como não estava preocupado, terminei o copo de refri e voltei ao vapor, desejoso de que além dos problemas, o vapor ajudasse a dissolver as gordurinhas localizadas também (risos). Mais quinze minutos na sauna quente e sai para a ducha fria e o ar leve do lado de fora da câmara. Não me surpreendi de encontrar os jovens ainda jogando bilhar.
Quando sentei na mesa onde estava, um deles chegou e sentou na cadeira ao lado; achei estranho mas não disse nada. Percebi que os outros dois companheiros observavam a cena entre preocupados e ansiosos. Depois de um minuto de silêncio, o rapaz que estava sentado na minha mesa perguntou sem rodeios, embora em tom de voz baixo:

- Vai querer um, mano?
- Um o que? - perguntei realmente curioso.
- Uai! Um baseado! É do bom...
- Ah! - respondi um tanto espantado - Não. Valeu... eu não uso.

Percebi que o rapaz ficou paralizado. Não disse nada e ficava me encarando, enquanto eu continuei tomando meu refrigerante.

- E você não vai brigar comigo, me mandar ir pra igreja, me mandar estudar... nada?

Nesse momento, olhei bem para o rosto daquele jovem. Não aparentava ter mais que 16 anos; era um rosto bonito... pensei numa fração de segundos em tudo o que eu poderia dizer para ele, em todas as dicas e intervenções psicológica que poderiam ser efetivas; pensei que poderia pegar ele pela camiseta e bater até criar juizo ou que ligaria para o Conselho Tutelar e diria o que estava acontecendo. Contudo, apenas disse:

- Não vai adiantar. Você é covarde demais para isso!

Percebi um pouco tarde que tinha machucado o brio do rapaz. Ele ficou colérico. Levantou e disse que me "apagava" ali mesmo. Continuei sentado; o dono da sauna logo veio perguntando o que estava acontecendo; os outros rapazes chegaram para ajudar o colega. Eu pedi para que ele se acalmasse e sentasse novamente.
Um tanto exitante, ele obedeceu. Talvez a curiosidade tenha sido mais forte; talvez minha tranquilidade o tenha assustado; talvez minha condição de autoridade o tenha feito obedecer... são muitas hipóteses.

- Não sei o seu nome, mas sei que não é maior de idade. - comecei dizendo - Assim como sei que tudo o que eu poderia dizer, você já ouviu de alguém. Mas, acho que o seu grande problema é não ter coragem de enfrentar os problemas, e dizer para você mesmo que consegue vencê-los. Quando passar a usar toda essa "bravura" que mostrou agora querendo me bater, lutando contra os seus próprios defeitos, sendo corajoso (e se me permite, homem de verdade) em reconhecer que tem essas dificuldades, tenho certeza que será um jovem muito mais maduro e responsável.

Novamente ele se levantou muito irritado. Gritou, apontando o dedo para mim:

- Não tenho que provar nada pra você não, mané!
- Você deveria provar é para você mesmo! - respondi calmamente. Olhei bem nos olhos dele e voltei para a sauna.

Fiquei mais tempo dessa vez; confesso que não estava tão agradável quanto as entradas anteriores, pois detesto discussões. Quando sai, os jovens não estavam mais lá. O dono da sauna disse para eu não preocupar que aqueles "moleques" não iam voltar para me atrapalhar. Fiz que sim com a cabeça, sem prestar realmente atenção. Fui embora alguns minutos depois, sem estar mentalmente relaxado.
A vida seguiu... continuei no trabalho que amo e que abraço com coragem, mesmo que me doa algumas vezes. Entre um drama e outro contudo, na sexta-feita, encontrei o mesmo rapaz que havia visto na sauna. E qual não foi minha surpresa quando o vejo sair de uma igreja.
Percebi que estava cochichando com uma senhora que julguei ser sua mãe. Fiquei na minha, pois estava apenas de passagem, quando...

- Ei, moço?! - chama a senhora.
- Pois não. - falei, pronto para me defender de qualquer acusação (a mente humana é ótima... não fiz nada errado e ainda assim tive medo de repreensão, rs).
- Meu neto disse que você falou umas "coisas" com ele uns tempos atrás... - começou ela.
- Ah, sim! Olha, a senhora me desculpe... - tentei continuar, mas ela me interrompeu.
- Eu que tenho que pedir desculpas pelo meu neto e te agradecer também. Naquele dia ele chegou muito nervoso em casa; nunca tinha visto ele tão brabo. Quebrou muita coisa e ficava dizendo que ia provar pra um certo "mané" que ele valia alguma coisa. Ficou assim a noite inteira . Quando foi no outro dia, voltou pra escola. Durante a semana inteira, ficou com a cara amarrada. Eu tentava fazer ele dizer o que ele tinha, mas sempre que eu perguntava, ele saia, mais nervoso ainda. Quando chegou no domingo, ele não aguentou: chorou o dia todo. Dizia que queria morrer e que não prestava mesmo pra nada... que o "mané" tava certo e que ele era um covardão, um mariquinhas. Foi aí que ele me contou tudo que aconteceu. Como avó, que criou ele como se fosse um filho, ajudei ele da maneira que eu sabia: Levei ele na igreja pra falar com o pastor, pedi pra um vizinho dar um emprego pra ele pelo amor de Deus. Hoje, quando te viu, disse que foi o senhor que falou aquelas verdades pra ele. Eu sou muito agradecida e rezo pro Senhor todo dia pra te iluminar. Você salvou a vida do meu neto e a minha, que já tava perdendo as esperanças. Deus te colocou no caminho do meu menino...

E nesse momento ela me abraçou e eu, muito emocionado, fazendo um esforço danado para não chorar também, retribuí, abraçando em seguida o menino-homem, que agradeceu também emocionado. Tentei dizer que não fiz nada (o que é verdade, pois disse a ele o que acreditava), incentivei o progresso deles, sugeri acompanhamento psicológico para trabalhar possíveis traumas na família e fui embora.
Aquela caminhada para casa foi a melhor que fiz na vida. A certeza de que estou no caminho certo, em termos de doutrina religiosa e em termos de profissão, alegraram e impulsionaram minha caminhada de vida; a certeza de que meu exemplo e o meu falar podem ajudar a modificar vidas, fortalece em mim a decisão de ser o melhor que consigo ser; a certeza de que a esperança é a última que morre me deu ânimo para abraçar novos desafios.

(esse diário explícito talvez tenha sido confuso... contudo, indelével para mim)