Estrelas do meu céu...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Civismo


Depois de um tempo elaborando, consegui entender a frustração que me assolava o peito, mais precisamente no dia 18 de dezembro de 2010.
Evento e Local: Solenidade de formatura dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Serviço Social da Unifor MG (Universidade de Formiga, Minas Gerais); depois da entrada dos professores e dos formandos, é dado o ínicio à cerimonia com o Hino Nacional. O que se seguiu me chocou e horrorizou com tal impacto que minha vontade foi gritar, chorar e fugir ao mesmo tempo!
Enquanto começava o hino, mais da metade das pessoas estavam sentadas, conversando alto, fazendo gestos para chamar a atenção do formando a quem foram prestigiar; os poucos que estavam em pé, também conversavam, muito alto, tentando se sobrepor à "essa música chata" (uma jovem disse isso ao meu lado, enquanto falava ao celular); nem mesmo os formandos estavam prestando atenção àquele momento.
Quando o hino já estava pela metade (e eu, de olhos na bandeira, com os braços para trás como havia sido ensinado e aprendera a honrar aquele momento solene, tentando com todas as forças prestar atenção), várias pessoas ao meu lado, que incrivelmente continuavam falando mesmo com o Hino Nacional acontecendo, começaram a sair dos lugares e se movimentar: uns buscando água, outros indo para junto dos amigos que avistaram e conversando... vários estudantes sequer se dignaram levantar.
Findo o Hino Nacional e com excessão dos homens que fizeram TG (Tiro de Guerra) e dos poucos entendedores do manifesto cívico, todas as outras pessoas começaram a aplaudir, enquanto eu tinha vontade de chorar! Será muito difícil demonstrar respeito à Flâmula, ao Hino Nacional ou ao momento solene de exaltação da Pátria que nos acolhe?
Hoje, contrariando minha esperança e minha tentativa de manter os olhos fechados, percebo que os brasileiros, em sua maioria, são realmente amantes dos esportes, porque demonstram ser pertencentes à esse país apenas nos eventos esportivos: agitam bandeiras, vestem camisas, gritam "Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor"... todos hipocritamente sem refletir e perceber a condenação que cantam.
Para mim, o descaso com que tratam a bandeira e o Hino reflete em pequena proporção o descaso com que tratam a nação e seus pertencentes! Pelo menos assim eu consigo justificar tantos crimes e lesões cometidas contra a nação, os orgãos públicos e a população; consigo justificar tanta ladroagem daqueles que deveriam iniciar o progresso do nosso país por meio de ementas, metas e planejamentos e ações concretas; consigo justificar os abusos de todas as ordens; consigo justificar os preconceitos; consigo justificar a falta de fé; consigo justificar o meu próprio sentimento de revolta... em pensar que serão nas mãos de profissionais que não sabem nem respeitar a solenidade da própria formatura que estaremos depositando nossa confiança (que medo, que triste...)!
Quisera eu que o brado de "Ordem e Progresso" fosse mais forte que os gritos de dor e angústia das mães que perdem seus filhos para as drogas, o tráfico, as balas perdidas, as mortes misteriosas; quisera que fossem usados "braços fortes" para que realmente a igualdade surgisse neste país para que os imigrantes, os negros, os pobres, os homossexuais, os vaidosos, os excêntricos tenham o "sol da liberdade" que todos buscam e que nós temos a condição de ofertar!!!
No fundo tenho certeza que vai mudar e, com as palavras entranhadas em minha consciência ("veras que um filho teu não foge à luta..."), tenho mais certeza ainda que meu exemplo um dia ajudará nessa mudança... tenho certeza que o "Brasil, coração do mundo, pátrica do Evangelho", como diz o cronista do além, será o que Jesus espera de nós!
Só gostaria que não demorasse muito...

(para a Patria Amada Brasil, na esperança que existam patriótas para honrá-la)

Apêndice (por Danielle Faria - Caleidoscópio)

Lembram-se daquela aluna que ficava na fila em frente à bandeira nacional? A criança de uniforme azul-marinho, saias pregueadas, meias brancas, sapato preto que ouvia atentamente, os discursos sobre o futuro da nação ao som do Hino Nacional? Aquela criança sou eu e o futuro chegou!
Já ficamos tempo demais deitados em berço esplêndido!

(obrigado meu anjo... mto oportuno)

Um comentário:

Caleidoscópio. disse...

Compartilho cada palavra sua!
Além da emoção que senti ao ler seu texto, um desejo de mudança avivou intensamente e só consigo reescrever:

Lembram-se daquela aluna que ficava na fila em frente à bandeira nacional? A criança de uniforme azul-marinho, saias pregueadas, meias brancas, sapato preto que ouvia atentamente, os discursos sobre o futuro da nação ao som do Hino Nacional? Aquela criança sou eu e o futuro chegou!
Já ficamos tempo demais deitados em berço esplêndido! (Danielle Faria - Caleidoscópio)