Estrelas do meu céu...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Confraternização em família


Em grande parte dos grupos que conheço, geralmente no natal, acontece a tradicional brincadeira do "amigo oculto". Não sei exatamente quando e onde começou essa tradição, mas minha consideração atual é sobre a brincadeira em si e como ela se efetua em minha própria família.
Para começar (e como não poderia deixar de ser, visto que em quase tudo gostamos de ser diferentes, rs), em minha família essa brincadeira não acontece no natal; a impossibilidade de nos encontrarmos por vezes é maior que o nosso desejo. Assim, há muitos anos atrás, minha avó materna, Nadir Alaíde de Azevedo Marcelo (a quem elevo o meu pensamento e carinho sincero onde estiver), começou essa tradição entre seus filhos (mamãe e tios),  em um encontro no início de todos os anos. Como eu era muito pequeno, não tenho lembranças claras das primeiras vezes.
Sempre nos reunimos no primeiro sábado após o dia 1º, como uma tentativa subjetiva de levar e trazer para nossas vidas boas energias e o fortalecimento desses laços invisíveis que apenas as famílias conseguem ter - não estou dizendo que a amizade e os grupos sociais não possuem laços de carinho mas para mim a família será sempre a primeira e grande escola da vida.
Esse encontro, que carinhosamente chamamos de Confraternização da Família Pereira Marcelo (sendo Pereira Marcelo o sobrenome do meu avô materno) é meu marco pessoal de um bom inicio de ano. Rever os tios e primo de longe (e alguns de perto também), matar a saudade, saber as novidades, comer muito, brincar em família, me emocionar com as palavras da minha tia, lembrar carinhosamente dos que não estão fisicamente... como se não bastasse, além de todas as agradáveis situações, a brincadeira do "amigo oculto" em si, para selar, entre os envolvidos, essa amizade que para mim transcende uma existência.
Esse encontro se tornou tão importante e uma marca tão poderosa na família que, atualmente, nossos companheiros e companheiras, bem como os filhos e conjuges, estão aprendendo o valor dessa confraternização, percebendo que o amor e a união em família podem persistir no mundo da atualidade, a despeito dos que acreditam que a instituição família está falída e em franca fragmentação.
Desculpem-me os teóricos, pessimístas e solitários de plantão: a família nunca deixará de existir! Suas diversas facetas e reoganizações ao longo dos séculos mostram que a "nuclearidade" (papai, mamãe e filhos) não é a base de um grupo sólido e convicto em si e, sim, o amor é o núcleo central dos grupos.
Não posso dizer ainda que nós, enquanto pertencentes à esse grupo familiar, somos evoluídos e estamos no último estágio evolutivo da criação divina (ainda erramos muito e por vezes deixamos que nossos defeitos equivoquem nossas escolhas), mas estamos na caminhada, de braços dados para quando uns cansarem, os outros ajudarem no percurso.
Tenho a honra e o orgulho de dizer que MINHA família, a Família Pereira Marcelo, é mais uma das que resiste bravamente à perturbação do mundo; tenho o prazer e a honra de dizer que fui abrigado carinhosamente nessa família; que sei poder contar com ela quando eu precisar e, mesmo singelamente, consigo dizer apenas muito obrigado!

(para os Pereira Marcelo)

Um comentário:

Caleidoscópio. disse...

Fiquei arrepiada durante toda a leitura. Família é meu berço do amor. - e dos conflitos também (rs).

Os teóricos precisam me desculpar também, mas os laços afetivos que unem a família, indepedentes dos seus arranjos e dos seus rearranjos são eternos, talvez difíceis de mensurar, já que são invisíveis.
Penso que pertencemos ao grupo minonitário e impugnável que acredita nos laços que sempre uniram o lado transcendente do ser humano.