Estrelas do meu céu...

quinta-feira, 14 de março de 2013

Fim de semana com vontade de me perder na chuva

(tirada do meu prédio um dia depois do fim de semana)

Ao som de "Chasing Pavements", Adele

Nem sempre é possível ter tudo o que se quer. A vida tem me ensinado essa verdade difícil! O fim de semana prolongado de 15 de novembro foi uma prova disso.
Empolgado como sempre fico quando vou pra casa dos meus pais, estava com o coração disparado para ser "paparicado" durante todo o tempo em que estaríamos juntos (confesso que a solidão e a saudade tem me consumido mais que anteriormente). Já havíamos combinado que iriamos para um clube ao qual somos sócios. Além de mim, mamãe e papai, meu irmão mais velho iria com a namorada e a filha dela, e minha irmã que mora em Lagoa iria com o namorado. Meus outros irmãos não puderam ir por motivo de trabalho e estudo.
A princípio, não reparei na sinuca que a vida estava me colocando; foi apenas no almoço do dia 15, no restaurante, que eu percebi e minha reação foi falar mentalmente "putz, me lasquei"! Motivo? Eu estava "de vela" no meio de três casais (e uma criança que nem sequer se dava ao trabalho de prestar atenção em nada além do próprio umbigo).
Neguei a princípio dizendo que era coisa da minha cabeça, mas os acontecimentos se desenrolaram para não deixar dúvidas: cada par conversava com o seu durante as refeições (e a menininha consigo mesma e poucas vezes com a mãe); os passeios de mãos dadas dos casais pelo terreno do clube (e a menininha correndo saltitante por todo lado); os momentos na piscina com sua cara metade (meu Deus, ATÉ A MENINA arrumou companhia)... em todos eles, adivinha quem sobrou??? Exato, adivinhou!!!  :'(
Mas não seria eu a estragar o fim de semana dos outros apenas pela minha solidão! Fiz o melhor que pude para não demonstrar meus sentimentos e nem ficar no caminho e descobri que sou ótimo em ser anônimo... quando notavam minha ausência (meu pai e mãe principalmente) já era fim da tarde ou  meio da noite.
Para não incomodar e ao mesmo tempo me distrair, nos momentos em que a família estava junta (geralmente almoços e jantares), eu ficava observando os detalhes do restaurante. Papai, meu grande herói (e o foi novamente), deixava mamãe de lado as vezes pra conversar comigo um assunto fútil qualquer, para me incluir no passeio; minha mãe se aproximava na piscina brincando comigo algumas vezes. Mas no geral... bem, vocês já sabem!
E assim foi meu fim de semana prolongado: ser vela entre casais felizes, me tornar invisível, ficar na minha (e a menininha nem se importou com nada) ...
Eu sei que egoísmo querer atenção em momentos assim e também não posso afirmar que se eu estivesse acompanhado e qualquer dos meus irmãos que estivesse sozinho, que eu iria lhes dar atenção, mas era o que eu queria: um pouco de atenção!
Queria cuidado, queria não me sentir MAIS UM no mundo! Queria... mas não podia ter.
O que eu tinha, em alguns momentos, era a chuva como companheira, e confesso que ela é muito boa para momentos de solidão, tristeza e saudade!
Como foi bom andar no cair d'água e me permitir sentir o abraço úmido e cálido da chuva de fim de primavera...
Como foi bom ser preenchido por sonhos gotejados e, mesmo sozinho, ser parte do todo universal!
...
Depois da dor inicial de ser deixado de lado, quando o desejo era outro, percebi o benefício do fim de semana (que agora jaz na memória).: aprender a estar bem comigo.
Deixar os medos, frustrações, angústias, sonhos e vitórias encherem o ser em crescimento que estou, trazendo um novo momento para a vida que escolhi.
Claro que não queria estar sozinho (um amor ao lado faz falta muitas vezes), mas foi bom...
Foi um fim de semana de me perder na chuva, para me encontrar em mim e saber enfrentar a solidão e a ausência, uma vez que elas não deixarão de existir se não quando eu quiser que assim seja!

(Reflexão para minha vida! Menos solitário intimamente, mas ainda necessitado de companhias que me dêem colo sem crítica)

3 comentários:

João Paulo Reis disse...

Me sinto assim muitas vezes, necessitando de apenas alguém para me fazer companhia mesmo que não diga uma palavra. Quanto à você, conte comigo sempre que precisar de colo.

Luiz hick disse...

A solidão as vezes é domável e habituamos em tentar sugar algo dela, assistir a vida pode ser surpreendente pois parece nos colocar no filme íntimo que não assistimos em nós mesmos. Companhia faz falta sim, mas cada momento pode ter seus êxtases.
Abraços!

Pedacinhos de mim disse...

Muito Bom Everton,

Um texto intenso cheio de sentimento que faz ver como a vida deve ser agarrada antes que tudo se perca, antes que a solidão se abeire da nossa alma.

Um Abraço